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segunda-feira, 12 de maio de 2014

[poesia] 1 + 1 = 1

Sou um
Grito, esperneio, choro
Nada sei
E também sou outro
Que nunca se mostra
Onde estás?
Eu agarro o lápis
Mas nada escrevo
Preciso dele
É ele o guia
E quando se cala,
O branco faz-se eterno.
Se sonhasse, diria que dorme
Mas se penso, quem pensa é ele
Assusto-me! Tenho uma ideia
Uma ideia dele
E escrevo feito louco
Porque o outro não se cala
Não sei de onde vêm as ideias
Ele não me diz
Mas quando começa, já não para.
Grito, esperneio, choro
Meus dedos tropeçam
Escrever é rastejar na lama
A imaginação? Tem asas
Pare!
Não sou eu quem agarra o lápis?
Mas ele não obedece
Apenas sente
Respira.
Sonha.


domingo, 27 de abril de 2014

Poema da Chuva


Sim, ontem choveu
Choveu uma chuva fininha
E hoje já sinto saudades
Do tamborilar na velha janela
Das gotas da chuva que era minha.


*Este pequeno poema fiz em Abril de 2013, numa noite de chuva, em Paço de Arcos, Portugal. A imagem é um corte de uma fotografia tirada em Abril de 2014, numa manhã de chuva, em Curitiba, Brasil.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Quando vier a primavera

Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, escreveu este pequeno poema, chamado "Quando vier a primavera".

Aqui, declamado por Valdemar Santos, ator Português.

Adoro este poema. Adora esta declamação.
Desfrutem. Vale a pena.


Quando Vier a Primavera
(Alberto Caeiro)

Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é.