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terça-feira, 27 de maio de 2014

Desenhos Antigos


Alguns dos meus desenhos antigos, feitos entre 1995 e 1997. Foram todos feitos com recurso apenas a um lápis 2B (bom, mais de um, de facto). A técnica é simples: "cópia a mão livre". Ou seja, mantinha uma imagem ao lado, normalmente uma imagem colorida, e reproduzia, da melhor maneira possível, em uma folha em branco. Não foi utilizado nenhum recurso "facilitador" como espelhos e o diabo a quatro. Só meus olhos. rs

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Fluviário de Mora

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Esta é uma das fotografias que tirei numa visita recente ao Fluviário de Mora. O fluviário é moderno (inaugurado em 2007), bem cuidado, tem exposições, actividades, etc. Fica em Mora (obviamente), que é um concelho muito bonito, no Alentejo. É um passeio que vale a pena.

domingo, 18 de maio de 2014

[opinião] O Alienista Alienado

Caricatura de Machado de Assis. Fonte: Pata do Guaxinim


Patrícia Secco tornou-se o centro de uma pequena celeuma, por conta de um projecto em que obras clássicas foram “adaptadas”, notadamente “O Alienista” de Machado de Assis, mas também “A Pata da Gazela", de José de Alencar.

Ao que consta, e tal é, em princípio, a causa maior da indignação (até um abaixo assinado deu origem), as alterações visam trazer o texto para uma linguagem mais próxima da actual. Ou seja, palavras em desuso foram trocadas por outras mais “modernas”, entre outras alterações, como pontuação, construções, etc.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

As Batalhas do Castelo



Fechou o livro, apagou a luz e deitou-se de costas. Cruzou os braços atrás da cabeça e ficou a observar o tecto do seu quarto, agora iluminado apenas pela tímida claridade que emanava da rua através da janela aberta. Era irregular, feito de finas ripas pintadas de bege, mais tinta que madeira, graças aos cupins que, se se concentrasse, podia ouvir a mastigar noite adentro.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

[poesia] 1 + 1 = 1

Sou um
Grito, esperneio, choro
Nada sei
E também sou outro
Que nunca se mostra
Onde estás?
Eu agarro o lápis
Mas nada escrevo
Preciso dele
É ele o guia
E quando se cala,
O branco faz-se eterno.
Se sonhasse, diria que dorme
Mas se penso, quem pensa é ele
Assusto-me! Tenho uma ideia
Uma ideia dele
E escrevo feito louco
Porque o outro não se cala
Não sei de onde vêm as ideias
Ele não me diz
Mas quando começa, já não para.
Grito, esperneio, choro
Meus dedos tropeçam
Escrever é rastejar na lama
A imaginação? Tem asas
Pare!
Não sou eu quem agarra o lápis?
Mas ele não obedece
Apenas sente
Respira.
Sonha.


Arapucas Literárias: Divulgação no Exterior


Todo escritor sabe que para ser lido, é preciso que o leitor saiba que ele, e sua obra, existem. Mais, é preciso que o leitor seja regularmente lembrado disso. A divulgação torna-se uma necessidade. Mais.
É obrigatória.

Essa obrigatoriedade, aliada à concorrência acirrada que existe no mundo literário brasileiro, onde há muito mais escritores do que leitores para os consumir, cria um terreno fértil para diversos tipos de armadilhas. 

Algum tempo atrás uma amiga pediu-me para dar uma opinião sobre um convite, feito a um escritor que ela conhece, para fazer divulgação no exterior.

No caso específico, a divulgação seria feita em um evento literário em Itália, através de um catálogo, onde constaria a foto e o nome dos autores que aceitassem participar. Para participar era fácil, bastava pagar $70 (setenta dólares).

A minha resposta à questão “vale a pena?” foi bastante fácil: Não. De forma nenhuma. Nem pensar.

Cada caso é um caso, claro. Mas em 99.9999% dos casos, divulgação no exterior é um péssimo negócio para escritores.

Qual a função da divulgação? Divulgar é dar a conhecer para o maior número de pessoas possível.
Qual a função de um evento literário? Vender livros.

As editoras não estão lá para dar a conhecer seus autores. Elas estão lá para vender livros. Dos seus autores. Autores que o público já conhece. Elas usam o evento para aproximar os autores do público. Mas a variável mais importante aqui é esta: público. Eles vão a um evento literário para falar com seus autores preferidos, para comprar os livros que estão na sua lista, que por acaso fizeram ainda antes de sair de casa. Pouquíssimas pessoas vão a um evento literário para “descobrir novidades”. Isso destrói qualquer possibilidade de sucesso, em termos de divulgação, para autores desconhecidos.

Você, escritor desconhecido, não faz parte dos planos do público internacional. Eles não te conhecem. Eles não querem te conhecer. Isso é verdade no Brasil e é ainda mais verdade fora do Brasil.

Outro aspecto importante de eventos literários, principalmente as feiras, é que normalmente existe um evento interno destinado exclusivamente às editoras. É um espaço para negociar a compra de direitos de publicação de obras de autores internacionais. Chegam-se a fazer verdadeiros leilões, em que as melhores propostas serão as contempladas com contractos de publicação. 

Você, escritor desconhecido, não faz parte dos planos das editoras internacionais. Elas não te conhecem. Elas não querem te conhecer. Aliás, isso também é verdade no Brasil. Se as editoras quisessem você, você não estaria tentado a aceitar divulgar sua obra fora do Brasil, porque a sua editora, com os direitos de publicação, estaria tratando disso.

Há muita gente com propostas para divulgar a obra de terceiros no exterior. A ideia que passam é de que querem levar a literatura brasileira para o mundo. Infelizmente, são pessoas ingénuas, que não perceberam ainda que esse não é o caminho. Ainda pior é que muitas estão agindo de má fé.

E é muito fácil enganar alguém quando esse alguém tem poucas possibilidades de verificar a veracidade dos factos. E como é fácil burlar pela internet, com fotografias, perfis de redes sociais, entidades e eventos falsos, etc. Há verdadeiros profissionais, no Brasil, em enganar escritores desconhecidos.

Por isso, abra bem os olhos. Se te convidarem para divulgar seu trabalho no exterior, corra. Muito. Porque é uma cilada.

domingo, 11 de maio de 2014

[Opinião] Noé (Noah)


Com vontade de assistir alguma coisa, sem muitas opções do meu agrado, optamos por assistir ao filme “Noah” (Noé).

O que eu posso dizer sobre o filme que não passe muito para o lado do “Spoiler”? 
Para já, posso dizer que o que quer que eu diga, é apenas uma opinião pessoal, sem nenhum tipo de conhecimento mais aprofundado sobre cinema ou actuações. Esteja avisado ;)

Como você pode imaginar (ou não), o filme é uma adaptação da história de Noé, contada no livro do Génesis. E a história, de certa forma, é bastante “fiel” aos acontecimentos narrados, com algumas diferenças, claro, principalmente no que concerne ao papel das “mulheres”, mas também sobre quem estava na Arca e algum “enchimento” com relação a factos que são mencionados apenas superficialmente, na Bíblia.

É um filme que se pode classificar de “fantástico”, no sentido em que há criaturas/eventos fantásticos, a menos que você acredite que o antigo testamento da bíblia cristã é uma narrativa historicamente fiel da criação do mundo. Para mim é pura fantasia. 

A história, no filme, assume contornos muito estranhos, para quem conhece as versões bíblicas. Para já, há uma ênfase na questão “ambiental” que, propositadamente ou não, faz frente ao motivo bíblico para o dilúvio, que também está presente no filme (e de maneira bastante inquietante, na minha opinião), que é a da maldade humana. E a questão ambiental, no filme, está fortemente ligada, ainda que de maneira implícita, ao uso inapropriado da tecnologia.

De certa maneira, tive uma nítida sensação “Mad Max” com esse filme. Um mundo degenerado, decadente, privado de sua “fonte de energia”, onde a violência humana assume proporções verdadeiramente horripilantes.

No filme, o Herói, Noé, está muito muito longe de ser a personagem que a história bíblica nos mostra. A imagem que eu coloquei na abertura, com um Noé segurando um Machado, pode lhe dar uma indicação de que ele está longe, muito longe, do ideal cristão. E está. Está muito mais próximo de uma pessoa comum, um tanto fanática, talvez. Algo que faria sentido 5000 anos atrás, por exemplo, mas que já não é bem visto em nossos dias.

Aliás, apesar da presença de vários outros personagens, como Matusalém, interpretado por Antonhy Hopkins, de forma maravilhosa, como sempre, o único personagem bem construído, na história, é mesmo Noé. Bom, o nome do filme é esse mesmo.

Em termos de actuação, Russell Crowe está muito bem nesse filme. Gostei imenso de sua atuação. Mas pronto, eu sou fácil de agradar... 

Mas não posso dizer o mesmo de outros actores. Não que as actuações sejam fracas. De modo geral não são. Mas pareceram-me francamente anacrónicas. Sim, à excepção de Russell e possivelmente Hopkins, os outros actores, em suas interpretações, não parecem nem um pouco com personagens bíblicos à beira da destruição do mundo. 

Isso de deve, um pouco, ou talvez muito, a algo que me pareceu completamente fora de lugar no filme, ainda que pertinente. Trata-se da parte “romântica” do filme. Foi ali colocada para justificar parte da história, mas não me pareceu que tenha funcionado. Se separássemos essa parte do resto do filme, o resto do filme teria ficado muito mais sombrio (e interessante) e esta parte poderia muito bem ser uma história que aconteceria em uma escola secundária de subúrbio americana. Quase nem precisavam trocar de figurinos... Mas se calhar isso sou só eu.

De resto, o filme tem cenas marcantes e até perturbadoras. Fosse mais bem explorado, esse lado negro da história, o filme teria sido fenomenal. Mas eu percebo que há pouca gente interessada em causar comoção em uma época onde o “politicamente correto” é a lei.

Até mesmo a palavra “Deus”, salvo erro, foi omitida. No filme, é sempre referido o “Criador”. É a mesma coisa? Quase. Mas a diferença tem impacto.

Enfim, parece-me que é um filme que vale a pena assistir, apesar dos problemas (para mim) mencionados acima. Ao menos é uma oportunidade para reflectir sobre para onde caminha a humanidade... Mas que podia ter sido muito melhor, podia.

Ao pesquisar sobre o filme, acabei encontrando uma HQ/BD feita a partir do primeiro argumento escrito para o filme, o que significa que ela tem várias diferenças para a história contada no cinema. Fiquei curioso, principalmente depois de saber que o artista é o mesmo de “Pride of Bagdah”, que eu, felizmente, tenho aqui (e também recomendo).